terça-feira, 20 de janeiro de 2009

A espera de um amor sonhado...

Ultimamente, tenho pensado muito sobre a beleza de um encontro verdadeiro de almas e em como ele faz falta, quando não acontece. A gente faz reflexões, procura se preencher o mais profundamente possível, pratica meditação, tenta se educar para não se sentir lesada pelo Universo, mas, sendo verdadeira - como faz falta um bom companheiro! Como é difícil se viver só, neste planeta em que estamos, lindo, generoso, mas passando por momentos de crise seríssimos, que afetam a todos nós.
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Resolvi encarar esta falta com realismo, sem continuar me iludindo com o que quer que seja. Ouvindo a minha verdade, o que diz o meu coração. E ele sente saudades de alguém que não conheço, sente falta de um momento verdadeiro de amor, de palavras de carinho. É isso mesmo e talvez assumindo-o, possa me sentir mais eu, mais ligada à minha própria Alma.
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Uma saudade de um rosto que não conheço, que não me lembro como é... uma falta e-nor-me de um toque que não sei precisar como seria, mas que já conheci um dia, uma necessidade de me sentir compartilhando a vida, com suas vitórias e dificuldades, com alguém muito próximo de minha alma, que não sei onde está neste momento, mas que tenho a certeza que existe...
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Por muito tempo, achei que isso era uma neurose, uma doença, mas – por ser um sentir duradouro, que persiste – cheguei à conclusão que é verdadeiro, sim! Não é uma necessidade de ligação com o meu Self, pois tenho conseguido isso mais e mais... e a saudade continua a existir. Estudo e me trabalho, já percebo muito amor em tudo e sinto a beleza da vida, mas a saudade está sempre presente. E assim, resolvi encará-la como minha e recebê-la com carinho, como parte de minha vida, como verdade inquestionável.
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Sei que um dia, em algum lugar, você que eu espero há tanto tempo, vai me encontrar. Será uma explosão de energias amorosas e o Tempo vai parar para nós, mas não sei quando... Pensar nisso me enche de energia e me dá forças para esperar. Acredito que você existe e isso é mais forte do que qualquer voz da razão, pois vem do centro do meu coração.
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Encontrei alguns casais, muito poucos, nesta minha encarnação, que já tiveram um encontro como esse. Um deles, muito próximo a mim. Quando eu os encontrava, era uma festa para minha alma, pois emanavam amor e compreensão. Ia, sempre que podia, a casa deles, para compartilhar daquela doce energia. O marido já desencarnou e a tristeza da companheira que ficou dura até hoje, após mais de quinze anos... Um dia ela me confidenciou que para ela o mundo tinha perdido as cores... tudo estava cinzento, pois ele partira.
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Enfim, um amor tão profundo e tão completo é o que eu sinceramente desejo pra mim e para todos. Sei que um dia, cada um a seu tempo, iremos nos reencontrando... aqui ou lá? Não sei... em algum lugar... mas o que eu sinto, com todas as minha forças, é que vale a pena confiar e esperar!

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Amor Insano

  













 
Deixa-me prender
Os meus passos aos teus
Sem pesos nem medidas
Como sombra leve que se revela
À tua frente
Só para te olhar...
Deixa-me viver
A alma na tua alma
Duas essencias numa só
De amor perfeito
Como alquimia eterna
De toda a criação.
Deixa-me perder-me
No teu corpo – caminho
De todas as possibilidades,
Em tantas emoções genuínas...
Carrossel delicado de dança sem 
palavras.
Olhar preso em olhar.
O meu no teu.
Deixa-me acontecer
Como uma vida discreta
Que nasceu para te amar
Fora do sonho, fora deste lugar
Mas apenas
Onde só eu te sei encontrar.
Deixa-me
Amar-te.

domingo, 18 de janeiro de 2009

Às vezes,
o que tanto almejamos
está tão próximo de nós,
na frente de nossos olhos,
ao alcance de nossas mãos.
E passamos...
olhamos, mas não enxergamos;
escutamos, mas não ouvimos;
tocamos, mas não sentimos.
Falta aprender uma simples lição,
dialogar com nossa alma...
Olhar, escutar, tocar, sentir...
mais com o coração.

sábado, 17 de janeiro de 2009


Os ventos que as vezes tira algo que amamos,

São os mesmos ventos que trazem algo que aprendemos amar.


Por isso não devemos chorar pelo que nos foi tirado,

E sim aprender a amar pelo que nos foi dado.


Pois tudo aquilo que é realmente nosso nunca vai para sempre!


quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Um amor assim...


Chega de amar errado, amar na necessidade, amar na dependência...

Quero um amor jurado, amor de verdade, amor que faça a diferença...

Não quero amor de tristes lágrimas, solidão ou incerteza...

Quero novas páginas, grande coração e celestial pureza...

Não quero amor coberto de traição, dor ou pecado...

Eu quero escrever letras novas e santas, no caderno onde o mesmo foi habitado...

Não preciso de medo, ciúme ou insegurança...

Preciso retornar a inocência, ao lugar sem maldade, o olhar doce de criança...

Não quero um amor de longe com bloqueios, barreiras e paredes...

Quero um amor junto, perto, íntimo de insaciável sede...

Amor que não venha de mim, do meu anseio, da minha carne...

Quero amor que tenha você, os teus desejos, as tuas vontades...

Amor de perdão, de abraço, de fortaleça...

Amor que me renove, me ampare, me enobreça...

Amor que me dê a certeza do lindo futuro de bons planos...

Amor que me dê colo, carinho, proteção e lindos sonhos...

Amor invisível, sobrenatural, amor de pós tempestade...

Amor de toda manhã, de canto de pássaro, vôo de liberdade...

Amor recíproco, sincero, constrangedor...

By Séo Fernandes... Adaptação By Andy

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Ano Novo!!! Vida Nova!!!


Que nesse ano possamos sonhar,
E acreditar, de coração, que podemos realizar cada um de nossos sonhos,
Que esses sonhos possam ser compartilhados pelo bem,
E que eles tenham força de transformar velhos inimigos em novos amigos verdadeiros.

Que nesse ano possamos abraçar,
E repartir calor e carinho,
Que isso não seja um ato de um momento,
Mas a história de uma vida.

Que nesse ano possamos beijar,
E com os olhos fechados, tocar o sabor da alma,
Que tenhamos tempo para sentir toda a beleza da vida,
E que saibamos senti-la em cada coisa simples.


Que nesse ano possamos sorrir,
E contagiar a todos com uma alegria verdadeira,
Que não sejam necessárias grandes justificativas para nosso sorriso,
Apenas a brisa do viver.

Que nesse ano possamos cantar,
E dizer coisas da vida,
Que não sejam apenas músicas e letras,
Mas que sejam canções e sentimentos.

Que nesse ano possamos agradecer,
E expressar a Deus e a todos: “Muito Obrigado!”,
Que nesse “todos” não sejam incluídos apenas os amigos,
Mas também aqueles que, nos colocando dificuldades, nos deram oportunidades de sermos melhores.

E assim começamos mais um Ano Novo,
Um dia que nasce, um primeiro passo, um longo caminho,
Um desafio, uma oportunidade e um pensamento:
“Que nesse ano sejamos, Todos, Muito Felizes!”

sábado, 13 de setembro de 2008

A sensível...

Foi então que ela atravessou uma crise que nada parecia ter a ver com sua vida: uma crise de profunda piedade. A cabeça tão limitada, tão bem penteada, mal podia suportar perdoar tanto. Não podia olhar o rosto de um tenor enquanto este cantava alegre - virava para o lado o rosto magoado, insuportável, por piedade, não suportando a glória do cantor. Na rua de repente comprimia o peito com as mãos enluvadas - assaltada de perdão. Sofria sem recompensa, sem mesmo a simpatia por si própria.Essa mesma senhora, que sofreu de sensibilidade como de doença, escolheu um domingo em que o marido viajava para procurar a bordadeira. Era mais um passeio que uma necessidade. Isso ela sempre soubera: passear. Como se ainda fosse a menina que passeia na calçada. Sobretudo passeava muito quando "sentia" que o marido a enganava. Assim foi procurar a bordadeira, no domingo de manhã. Desceu uma rua cheia de lama, de galinhas e de crianças nuas - aonde fora se meter! A bordadeira, na casa cheia de filhos com cara de fome, o marido tuberculoso - a bordadeira recusou-se a bordar a toalha porque não gostava de fazer ponto de cruz! Saiu afrontada e perplexa. "Sentia-se" tão suja pelo calor da manhã, e um de seus prazeres era pensar que sempre, desde pequena, fora muito limpa. Em casa almoçou sozinha, deitou-se no quarto meio escurecido, cheia de sentimentos maduros e sem amargura. Oh pelo menos uma vez não "sentia" nada. Senão talvez a perplexidade diante da liberdade da bordadeira pobre. Senão talvez um sentimento de espera. A liberdade.Até que, dias depois, a sensibilidade se curou assim como uma ferida seca. Aliás, um mês depois, teve seu primeiro amante, o primeiro de uma alegre série.
***
Clarice Lispector

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

A Viagem


Impossível explicar. Afastava-se aos poucos da­quela zona onde as coisas têm forma fixa e arestas, onde tudo tem um nome sólido e imutável. Cada vez mais afundava na região líquida, quieta e insondável, onde pairavam névoas vagas e frescas como as da madrugada. Da madrugada erguendo-se no campo. Na fazenda do tio acordara no meio da noite. As tábuas da casa velha rangiam. De lá do primeiro andar, solta no espaço escuro, afundara os olhos na terra, procurando as plantas que se torciam enrodilhadas como víboras. Alguma coisa piscava na noite, espiando, espiando, olhos de um cão deitado, vigi­lante. O silêncio pulsava no seu sangue e ela arfava com ele. Depois a madrugada nasceu sobre as cam­pinas, rosada, úmida. As plantas eram de novo ver­des e ingênuas, o talo fremente, sensível ao sopro do vento, nascendo da morte. Já nenhum cão vigiava a fazenda, agora tudo era um, leve, sem consciência. Havia então um cavalo solto na campina quieta, a mobilidade de suas pernas apenas adivinhada. Tudo impreciso, mas de súbito na imprecisão encontrara uma nitidez que ela apenas adivinhara e não pudera possuir inteiramente. Perturbada pensara: tudo, tudo.As palavras são seixos rolando no rio. Não fora feli­cidade o que sentira então, mas o que sentira fora fluido, docemente amorfo, instante resplandecente, instante sombrio. Sombrio como a casa que ficava na estrada coberta de árvores folhudas e poeira do cami­nho. Nela morava um velho descalço e dois filhos, grandes e belos reprodutores. O mais novo tinha olhos, sobretudo olhos, beijara-a uma vez, um dos melhores beijos que jamais sentira, e alguma coisa erguia-se no fundo de seus olhos quando ela lhe es­tendia a mão. Essa mesma mão que agora repousava sobre o espaldar de uma cadeira, como um pequeno corpinho aparte, saciado, negligente. Quando era pe­quena costumava fazê-la dançar, como a uma moci­nha tenra. Dançara-a mesmo para o homem que fu­gia ou fora preso, para o amante — e ele fascinado e angustiado terminara por apertá-la, beijá-la como se realmente a mão sozinha fosse uma mulher. Ah, vivera muito, a fazenda, o homem, as esperas. Ve­rões inteiros, onde as noites decorriam insones, dei­xavam-na pálida, os olhos escuros. Dentro da insônia, várias insônias. Conhecera perfumes. Um cheiro de verdura úmida, verdura aclarada por luzes, onde? Ela pisara então na terra molhada dos canteiros, enquanto o guarda não prestava atenção. Luzes pen­dendo de fios, balançando, assim, meditando indife­rentes, música de banda no coreto, os negros farda­dos e suados. As árvores iluminadas, o ar frio e arti­ficial de prostitutas. E sobretudo havia o que não se pode dizer: olhos e boca atrás da cortina espian­do, olhos de um cão piscando a intervalos, um rio rolando em silêncio e sem saber. Também: as plan­tas crescendo de sementes e morrendo. Também:longe em alguma parte, um pardal sobre um galho e alguém dormindo. Tudo dissolvido. A fazenda tam­bém existia naquele mesmo instante e naquele mes­mo instante o ponteiro do relógio ia adiante, enquan­to a sensação perplexa via-se ultrapassada pelo re­lógio.Dentro de si sentiu de novo acumular-se o tem­po vivido. A sensação era flutuante como a lembran­ça de uma casa em que se morou. Não da casa pro­priamente, mas da posição da casa dentro de si, em relação ao pai batendo na máquina, em relação ao quintal do vizinho e ao sol de tardinha. Vago, lon­gínquo mudo. Um instante... acabou-se. E não po­dia saber se depois desse tempo vivido viria uma con­tinuação ou uma renovação ou nada, como uma barreira. Ninguém impedia que ela fizesse exatamen­te o contrário de qualquer das coisas que fosse fazer: ninguém, nada... não era obrigada a seguir o pró­prio começo... Doía ou alegrava? No entanto sen­tia que essa estranha liberdade que fora sua maldi­ção, que nunca ligara nem a si própria, essa liber­dade era o que iluminava sua matéria. E sabia que daí vinha sua vida e seus momentos de glória e daí vinha a criação de cada instante futuro.Sobrevivera como um germe ainda úmido entre as rochas ardentes e secas, pensava Joana. Naquela tarde já velha — um círculo de vida fechado, tra­balho findo —, naquela tarde em que recebera o bilhete do homem, escolhera um novo caminho. Não fugir, mas ir. Usar o dinheiro intocado do pai, a he­rança até agora abandonada, e andar, andar, ser humilde, sofrer, abalar-se na base, sem esperanças. Sobretudo sem esperanças.Amava sua escolha e a serenidade agora alisava-lhe o rosto, permitia vir à sua consciência mo­mentos passados, mortos. Ser uma daquelas pessoas sem orgulho e sem pudor que a qualquer instante se confiam a estranhos. Assim antes da morte ligar-se-ia à infância, pela nudez. Humilhar-se afinal. Como pisar-me bastante, como abrir-me para o mundo e para a morte?O navio flutuava levemente sobre o mar como sobre mansas mãos abertas. Inclinou-se sobre a mu­rada do convés e sentiu a ternura subindo vagarosa­mente, envolvendo-a na tristeza.No convés os passageiros andavam de um lado para outro, suportando mal a espera do lanche, an­siosos por reunir o tempo ao tempo. Alguém disse, a voz magoada: olhe a chuva! Realmente aproximava-se a névoa cinzenta, olhos cerrados. Daí a pouco viam-se pingos largos caírem sobre as tábuas do convés, o barulho de alfinetes tombando, e sobre a água, furando-lhe imperceptivelmente a superfície. O vento esfriou, levantaram-se as golas dos casacos, os olhares subitamente inquietos, fugindo da melanco­lia como Otávio com seu medo de sofrer. De profundis...De profundis? Alguma coisa queria falar... De profundis... Ouvir-se! prender a fugaz oportunida­de que dançava com os pés leves à beira do abismo. De profundis. Fechar as portas da consciência. A princípio perceber água corrompida, frases tontas, mas depois no meio da confusão o fio de água pura tremulando sobre a parede áspera. De profundis. Aproximar-se com cuidado, deixar escorrerem as primeiras vagas. De profundis... Cerrou os olhos, mas apenas viu penumbra. Caiu mais fundo nos pen­samentos, viu imóvel uma figura magra debruada de vermelho-claro, o desenho com um dedo úmido de sangue sobre um papel, quando se arranhara e en­quanto o pai procurava iodo. No escuro das pupilas, os pensamentos alinhados em forma geométrica, um superpondo-se ao outro como um favo de mel, alguns casulos vazios, informes, sem lugar para uma refle­xão. Formas fofas e cinzentas, como um cérebro. Mas isso ela não via realmente, procurava imaginar tal­vez. De profundis. Vejo um sonho que tive: palco es­curo abandonado, atrás de uma escada. Mas no mo­mento em que penso "palco escuro" em palavras, o sonho se esgota e fica o casulo vazio. A sensação murcha e é apenas mental. Até que as palavras "pal­co escuro" vivam bastante dentro de mim, na minha escuridão, no meu perfume, a ponto de se tornarem uma visão penumbrosa, esgarçada e impalpável, mas atrás da escada. Então terei de novo uma verdade, o meu sonho. De profundis. Por que não vem o que quer falar? Estou pronta. Fechar os olhos. Cheia de flores que se transformam em rosas à medida que o bicho treme e avança em direção ao sol do mesmo modo que a visão é muito mais rápida que a palavra, escolho o nascimento do solo para... Sem sentido. De profundis, depois virá o fio de água pura. Eu vi a neve tremer cheia de nuvens rosadas sob a função azul das vísceras cobertas de moscas ao sol, a im­pressão cinzenta, a luz verde e translúcida e fria que existe atrás das nuvens. Fechar os olhos e sentir co­mo uma cascata branca rolar a inspiração. De profundis. Deus meu eu vos espero, Deus vinde a mim. Deus, brotai no meu peito, eu não sou nada e a desgraça cai sobre minha cabeça e eu só sei usar pala­vras e as palavras são mentirosas e eu continuo a so­frer, afinal o fio sobre a parede escura. Deus vinde a mim e não tenho alegria e minha vida é escura como a noite sem estrelas e Deus por que não existes den­tro de mim? por que me fizeste separada de ti? Deus vinde a mim, eu não sou nada, eu sou menos que o pó e eu te espero todos os dias e todas as noites, aju­dai-me, eu só tenho uma vida e essa vida escorre pelos meus dedos e encaminha-se para a morte sere­namente e eu nada posso fazer e apenas assisto ao meu esgotamento em cada minuto que passa, sou só no mundo, quem me quer não me conhece, quem me conhece me teme e eu sou pequena e pobre, não sa­berei que existi daqui a poucos anos, o que me resta para viver é pouco e o que me resta para viver no entanto continuará intocado e inútil, por que não te apiedas de mim? que não sou nada, dai-me o que preciso. Deus, dai-me o que preciso e não sei o que seja, minha desolação é funda como um poço e eu não me engano diante de mim e das pessoas, vinde a mim na desgraça e a desgraça é hoje, a desgraça é sempre, beijo teus pés e o pó dos teus pés, quero me dissolver em lágrimas, das profundezas chamo por vós, vinde em meu auxílio que eu não tenho peca­dos, das profundezas chamo por vós e nada responde e meu desespero é seco como as areias do deserto e minha perplexidade me sufoca, humilha-me, Deus, esse orgulho de viver me amordaça, eu não sou nada, das profundezas chamo por vós, das profundezas cha­mo por vós das profundezas chamo por vós das pro­fundezas chamo por vós...Agora os pensamentos já se solidificavam e ela respirava como um doente que tivesse passado pelo grande perigo. Alguma coisa ainda balbuciava den­tro dela, porém seu cansaço era grande, tranqüili­zava seu rosto em máscara Usa e de olhos vazios. Das profundezas a entrega final. O fim...Mas das profundezas como resposta, sim como resposta, avivada pelo ar que ainda penetrava no seu corpo, ergueu-se a chama queimando lúcida e pura... Das profundezas sombrias o impulso incle­mente ardendo, a vida de novo se levantando infor­me, audaz, miserável. Um soluço seco como se a tivessem sacudido, alegria rutilando em seu peito in­tensa, insuportável, oh o turbilhão. Sobretudo acla­rava-se aquele movimento constante no fundo do seu ser — agora crescia e vibrava. Aquele movimento de alguma coisa viva procurando libertar-se da água e respirar. Também como voar, sim como voar... andar na praia e receber o vento no rosto, os cabelos esvoaçantes, a glória sobre a montanha... Erguendo-se, erguendo-se, o corpo abrindo-se para o ar, entregando-se à palpitação cega do próprio sangue, notas cristalinas, tintilantes, faiscando na sua alma... Não havia desencanto ainda diante de seus próprios mistérios, ó Deus, Deus, Deus, vinde a mim não para me salvar, a salvação estaria em mim, mas para abafar-me com tua mão pesada, com o castigo, com a morte, porque sou impotente e medrosa em dar o pequeno golpe que transformará todo o meu corpo nesse centro que deseja respirar e que se ergue, que se ergue... o mesmo impulso da maré e da gê­nese, da gênese! o pequeno toque que no louco deixa viver apenas o pensamento louco, a chaga luminosa crescendo, flutuando, dominando. Oh, como se har­monizava com o que pensava e como o que pensava era grandiosamente, esmagadoramente fatal. Só te quero, Deus, para que me recolhas como a um cão quando tudo for de novo apenas sólido e completo, quando o movimento de emergir a cabeça das águas for apenas uma lembrança e quando dentro de mim só houver conhecimentos, que se usaram e se usam e por meio deles de novo se recebem e se dão coisas, oh Deus.O que nela se elevava não era a coragem, ela era substância apenas, menos do que humana, como poderia ser herói e desejar vencer as coisas? Não era mulher, ela existia e o que havia dentro dela eram movimentos erguendo-a sempre em transição. Talvez tivesse alguma vez modificado com sua força selva­gem o ar ao seu redor e ninguém nunca o perceberia, talvez tivesse inventado com sua respiração uma nova matéria e não o sabia, apenas sentia o que jamais sua pequena cabeça de mulher poderia compreender. Tropas de quentes pensamentos brotavam e alastra­vam-se pelo seu corpo assustado e o que neles va­lia é que encobriam um impulso vital, o que neles valia é que no instante mesmo de seu nascimento havia a substância cega e verdadeira criando-se, erguendo-se, salientando como uma bolha de ar a superfície da água, quase rompendo-a... Ela notou que ainda não adormecera, pensou que ainda haveria de estalar em fogo aberto. Que terminaria uma vez a longa gesta­ção da infância e de sua dolorosa imaturidade reben­taria seu próprio ser, enfim, enfim livre! Não, não, nenhum Deus, quero estar só. E um dia virá, sim, um dia virá em mim a capacidade tão vermelha e afirmativa quanto clara e suave, um dia o que eu fizer será cegamente seguramente inconscientemente, pisando em mim, na minha verdade, tão integralmente lançada no que fizer que serei incapaz de falar, so­bretudo um dia virá em que todo meu movimento será criação, nascimento, eu romperei todos os nãos que existem dentro de mim, provarei a mim mes­ma que nada há a temer, que tudo o que eu for será sempre onde haja uma mulher com meu princípio, erguerei dentro de mim o que sou um dia, a um gesto meu minhas vagas se levantarão poderosas, água pura submergindo a dúvida, a consciência, eu serei forte como a alma de um animal e quando eu falar serão palavras não pensadas e lentas, não levemente sentidas, não cheias de vontade de humanidade, não o passado corroendo o futuro! o que eu disser soará fatal e inteiro! não haverá nenhum espaço dentro de mim para eu saber que existe o tempo, os homens, as dimensões, não haverá nenhum espaço dentro de mim para notar sequer que estarei criando instante por instante, não instante por instante: sempre fun­dido, porque então viverei, só então viverei maior do que na infância, serei brutal e malfeita como uma pedra, serei leve e vaga como o que se sente e não se entende, me ultrapassarei em ondas, ah, Deus, e que tudo venha e caia sobre mim, até a incompreen­são de mim mesma em certos momentos brancos por­que basta me cumprir e então nada impedirá meu caminho até a morte-sem-medo, de qualquer luta ou descanso me levantarei forte e bela como um cavalo novo.
***
Clarice Lispector

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Pensem com carinho!


Adeus!!!
Uma palavra que pra muitos é o final de algo, mas prá outros é apenas um novo começo...


O começo de uma vida sem sofrimentos de ambas as partes, a procura de uma vida melhor.


Algo meio impossivel querer a felicidade geral da nação, afinal nem Jesus Cristo agradou a todos então eu pobre mortal, nada mais posso fazer, para ser feliz e fazer a todos que estão comigo felizes também.

Mais quero deixar expresso aqui, que amo a todos, uns com uma intensidade maior, outros bem menos, mas nunca deixei de amar ninguem do meu convivel, seja amigos de verdade, ou apenas falsos colegas...

Quero apenas deixar bem claro que cada um de vocês contribuiram para minha vida, seja fatores positivos ou negativos, eu cai, levantei, cai novamente, mais sempre tirei uma lição de tudo...

Se dedicar demais a uma pessoa é a pior coisa que existe na face da terra, então você que está lendo isso, nunca, veja bem, NUNCA, dedique todo seu amor a uma pessoa apenas, pois qdo perde-la sentirá o mais profundo vazio do abismo e a unica coisa a qual vai querer é se jogar nesse abismo profundo e assim nunca mais voltar...

Ame a todos sempre... não deseje o mal a ninguem ele sempre acaba voltando, seja simples e de coração puro, assim sofrerá menos qdo cair e acima de tudo perdoe... nem que seu coração ainda sinta o aperto da raiva acometida.

Agora tenho que ir, algo melhor me aguarda, ou pior, quem sabe?

Apenas o pai dos pais, nosso grandioso DEUS...


Seja qual for o final, ele ja esta escrito, ñ tente muda-lo!


Andy

domingo, 11 de maio de 2008

MÃE...

Para a minha mãe e para todas as mães, um dia maravilhoso junto aos seus filhos e netos.



Falar das mães é falar de Deus, pois no coração delas está o verdadeiro amor. Amor que poderia até ser usado como exemplo, amor que se dá sem pedir recompensa.
Sem cobrança, sem distinção, sem egoísmo e até sem medir distância, nunca deixa de ser amor. Sua luta no dia a dia a faz uma mulher madura, competente, que sabe o que quer para sua vida.
Sexo frágil sim. Mas acomodada não.
Cada dia mais preparada, mas consciente de que o mundo foi feito para ambos os sexos e faz de tudo para que seus direitos e seus ideais sejam respeitados.
Com coragem e persistência luta a cada dia para ajudar na felicidade da família.
Parabéns mainha pela passagem do teu dia.
Você é a razão do meu viver. Te amo
Um beijo em seu coração...
Andy


sábado, 10 de maio de 2008

sexta-feira, 9 de maio de 2008




Hoje eu sou feliz, por saber aproveitar as oportunidades que a vida me concedeu...
Me admiro por ainda ver pessoas que não tem essa mesma capacidade de viver sua própria vida e fica cobiçando a felicidade alheia com o pior dos sentimentos a INVEJA.
Ao invez de desejar as borboletas do jardim a qual não é o seu, cuide de seu próprio jardim que um dia elas virão até você...

Bom final de semana a todos!!!
Bjos em vossos corações!!!

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Nunca deixe para o amanhã...

Pense com carinho nessa mensagem e depois vc me fala o que achou...

quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Saudade é solidão acompanhada II

...




Com a proximidade do carnaval, uma dor toma de conta do meu peito...


Essa dor é chamada de Saudade...



Saudade dessa terra linda,




cheia de cantos e encantos;

saudade dos meus amigos que deixei por lá;



saudade de ver a alegria tomando de conta de cada rosto, de cada olhar, de cada um...






Saudade é solidão acompanhada.

A pior solidão... !

Pois, mesmo estando rodeado de pessoas legais, amáveis, que desejam a sua felicidade, você se sente só, apenas com suas lembranças alegres, de momentos felizes que jamais se apagará da memoria...

É como eu estou me sentindo agora, por não está em Salvador para curtir esse carnaval mágico que só a minha Bahia faz.


Um feliz carnaval para todos!

Divirtam-se, cuidem-se e acima de tudo, seja responsável!


Andy


Acima de tudo, seja feliz!

Acima de tudo, seja feliz!