domingo, 11 de julho de 2010

O amor maduro.


O amor maduro não é menor em inten­si­dade.
Ele é ape­nas silen­ci­oso.
Não é menor em exten­são.
É mais defi­nido colo­rido e poe­ti­zado.
Não carece de demons­tra­ções.
Pre­sen­teia com a ver­dade do sen­ti­mento.
Não pre­cisa de pre­sen­ças exi­gi­das.
Amplia-se com as ausên­cias sig­ni­fi­ca­ti­vas.
O amor maduro tem e quer pro­ble­mas, sim, como tudo.
Mas vive dos pro­ble­mas da feli­ci­dade.
Pro­ble­mas da feli­ci­dade são for­mas tra­ba­lho­sas de cons­truir o bem, o pra­zer.
Pro­ble­mas da infe­li­ci­dade não inte­res­sam ao amor maduro.
Na feli­ci­dade está o encon­tro de peles, o ficar com o gosto da boca e do cheiro do outro — está a com­pre­en­são ante­ci­pada, a adi­vi­nha­ção, o pre­sente de valor inte­rior, a emo­ção vivida em con­junto, os dis­cur­sos silen­ci­o­sos da per­cep­ção, o pra­zer de con­vi­ver, o
equi­lí­brio de carne e de espí­rito.
O amor maduro é a valo­ri­za­ção do melhor do outro e a rela­ção com a parte salva de cada pes­soa.
Ele vive do que não mor­reu, mesmo tendo ficado para depois, vive do que fer­men­tou
cri­ando dimen­sões novas para sen­ti­men­tos anti­gos, jar­dins aban­do­na­dos, cheios de semen­tes.
Ele não pede, tem.
Não rei­vin­dica, con­se­gue.
Não per­cebe, recebe.
Não exige, ofe­rece.
Não per­gunta, adi­vi­nha.
Existe, para fazer feliz.

Artur Tavola

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